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» » » » PF investiga suposta propina para liberar carne imprópria ao consumo

Operação atingiu mais de 70 empresas; três unidades foram interditadas.
Gravações falam em uso de carne vencida e carne de cabeça na linguiça.
Imagem Ilustrativa: reprodução/Google

A Polícia Federal fez nesta sexta-feira (17) uma operação em seis estados e no Distrito Federal para investigar um suposto esquema de propinas que permitia a distribuição de cargas adulteradas ou fora das normas de qualidade de carne, frango e embutidos de porco e aves, que seriam vendidas para o Brasil e para o exterior.
A operação atingiu mais de 70 empresas, entre elas frigoríficos e unidades de produção de fábricas de alimentos que são líderes do mercado nacional.
O Ministério da Agricultura interditou três unidades e determinou o recolhimento dos produtos. E garante que o sistema de vigilância da qualidade é de confiança. Trinta e três funcionários do Ministério da Agricultura foram afastados por causa das investigações. 
A Polícia Federal investiga a suspeita de que funcionários de frigoríficos e de algumas subsidiárias de empresas de alimentos de seis estados, mais o Distrito Federal, teriam pago propina para escapar da fiscalização do Ministério da Agricultura.
A propina, de acordo com os policiais, era paga com dinheiro e entregas de mercadorias, principalmente carne. 
Segundo as investigações, entre as irregularidades estariam a liberação de carne vencida, contaminada, a troca de rótulos de validade, e o uso de substâncias químicas para maquiar carne estragada.
A Polícia Federal diz que interceptações telefônicas ajudaram a identificar   irregularidades em cargas de carne, frango e embutidos de porco e aves, que seriam vendidas para o Brasil, países da Europa e para a China.
A Justiça decretou 27 prisões preventivas, 11 temporárias e 77 conduções coercitivas - quando a pessoa é levada para prestar depoimento.
Os suspeitos são investigados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, concussão, tráfico de influência, prevaricação, peculato, crime contra saúde pública, falsificação de documento público, violação de sigilo funcional e fraude documental.
Também foram decretados 194 mandados de busca e apreensão. 
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em frigoríficos e em unidades de empresas de alimentos.
Big Frango Indústria e Com. de Alimentos Ltda.
BRF - Brasil Foods S.A, cinco endereços entre unidades de produção e escritórios.
Dagranja Agroindustrial Ltda.
E.H. Constantino
Frango a Gosto
Frigobeto Frigoríficos e Comércio de Alimentos Ltda.
Frigomax - Frigorífico e Comércio de Carnes Ltda.
Frigorífico 3D
Frigorífico Argus Ltda.
Frigorífico Larissa Ltda.
Frigorífico Oregon S.A.
Frigorífico Rainha da Paz
Frigorífico Souza Ramos Ltda.
Três unidades produtivas da JBS SA
Mastercarnes
Novilho Nobre Indústria e Comércio de Carnes Ltda.
Peccin Agroindustrial Ltda. Italli Alimentos
Primor Beef - JJZ Alimentos S.A.
Seara Alimentos Ltda.
Unifrangos Agroindustrial S.A. Companhia Internacional de Logística
Breyer e Cia Ltda.
Fábrica de Farinha de Carne Castro Ltda.
Carne vencida
Um dos investigados é o frigorífico Larissa, que tem uma filial em Iporã, no Paraná.
Numa conversa gravada em maio de 2016, o dono, Paulo Rogério Sposito, preso nesta sexta-feira (17), manda um funcionário usar produtos vencidos há três meses. O relatório da Polícia Federal não diz se a carne foi vendida nem para onde.
Paulo manda um funcionário do frigorífico Larissa utilizar produtos vencidos na produção da empresa.
Funcionário: Seu Paulo?
Paulo: Oi
Funcionário: Achamos umas paletas 127 que estão vencidas desde fevereiro. Manda embora ou deixa na produção pra eles usar?
Paulo: Deixa na produção pra eles usar.
No despacho, o juiz Marcos Josegrei da Silva afirma que o ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura no Paraná Daniel Gonçalves Filho e a chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura, Maria do Rocio Nascimento, eram os chefes do esquema.
Num vídeo feito pela polícia em fevereiro de 2016, Flávio Cassou, funcionário da Seara Alimentos, controlada pelo Grupo JBS, entrega uma caixa de isopor na casa de Maria do Rocio Nascimento.
Segundo a polícia, a caixa estava carregada com carnes e outros produtos.
Daniel Gonçalves Filho, Maria do Rocio Nascimento e Flávio Cassou tiveram as prisões decretadas.
A JBS, um dos maiores grupos produtores de alimentos industrializados do país, é dona das marcas Seara, Big Frango, Friboi e Swift e disse que as unidades que foram alvo da operação da PF são as de Rolândia e da Lapa, ambas no Paraná, e de Goiânia. Em Rolândia e Goiânia são feitos o abate e a desossa de bovinos, e na fábrica da Lapa, o abate e o processamento de frangos. Não disse, porém, o que cada uma das três unidades produz para cada marca da JBS.
As investigações começaram depois que um fiscal do Paraná decidiu denunciar o pagamento de propina para que fossem emitidos certificados sanitários a frigoríficos. Depois de abrir um procedimento contra uma das empresas envolvidas no esquema, Daniel Gouvêa Teixeira foi afastado do cargo pela chefe, Maria do Rocio Nascimento.
Carne de cabeça na linguiça
Ainda de acordo com a denúncia, a empresa Peccin, de Curitiba, também comprou notas fiscais falsas de produtos com o selo de inspeção para justificar a compra de carne podre, e utilizava quantidades acima do permitido de um produto químico para maquiar carnes estragadas. A Peccin produz derivados de frango, porco, e embutidos em geral com a marca Peccin.
Em conversa gravada em março de 2016, Idair e Nair Piccin, sócios do frigorífico, falam em utilizar carne de cabeça de porco na linguiça, o que é proibido. Idair pede que sejam comprados dois mil quilos dessa carne.
Idair: Ah, manda vir 2.000 quilos e botamos na linguiça ali, frescal, moída fina.
Nair: Na linguiça?
Idair: Mas é proibido usar carne de cabeça na linguiça
Nair: Tá, seria só 2.000 quilos para fechar a carga.
Também são investigadas fábricas do grupo BRF, um dos maiores produtores de alimentos industrializados do país, dono, entre outras, das marcas Sadia e Perdigão.
De acordo com a polícia, uma delas, identificada no mandado de busca e apreensão apenas como “fábrica da BRF em Mineiros, Goiás”, só continuou funcionando porque houve pagamento de propina.
Segundo as investigações, em 2016 houve uma contaminação na empresa com a bactéria salmonela, conhecida por causar infecções que podem até levar à morte. A fábrica produz derivados de frango e peru.
Em um trecho do despacho, o juiz diz que o gerente de Relações Governamentais e Institucionais da BRF, Roney Nogueira, solicita ao chefe do Departamento de Inspeção de Goiás, Dinis Lourenço, que intervenha para que a unidade de Mineiros não seja fechada.
Segundo o despacho, Dinis prometeu que a unidade de Mineiros não seria suspensa em troca de apoio em uma campanha eleitoral. Não há informação nos documentos se o apoio citado aconteceu ou não.
Roney e Dinis também tiveram as prisões decretadas. Roney Nogueira informou à polícia que está no exterior.
A Polícia Federal não detalhou em quais marcas da BRF havia irregularidades nem o destino dos produtos. A BRF também não esclareceu quais produtos e de que marcas essa unidade fabricava.
BRF explica papelão
No relatório, a Polícia Federal cita uma conversa entre o gerente de produção da BRF em Carambeí, no Paraná, Luiz Fossati, e um funcionário. A PF diz que eles falam em colocar papelão junto com a carne moída, descrita no diálogo como CMS.
Funcionário: O problema é colocar papelão lá dentro do CMS também né. Tem mais essa ainda. Só que não dá pra mim tirar. Eu vou ver se eu consigo colocar em papelão. Agora se eu não consegui em papelão, daí infelizmente eu vou ter que condenar.
Luiz Fossati: Aí tu pesa tudo que nós vamos dar perda. Não vamos pagar rendimentos isso.
A BRF divulgou em sobre o uso do papelão. Segundo a empresa, o funcionário estava se referindo às embalagens do produto e não ao seu conteúdo. Quando ele diz “dentro do CMS”, está se referindo à área onde o CMS é armazenado.
A BRF diz que isso fica ainda mais claro quando ele diz que vai ver se consegue “colocar em papelão”, ou seja, embalar o produto em papelão, pois esse produto é normalmente embalado em plástico.
Durante a entrevista, o delegado Maurício Moscardi foi indagado sobre os riscos para a população.
Repórter: São 40 empresas que foram investigadas e em todas foram detectadas irregularidades. Isso quer dizer que quando a gente vai comprar uma carne no mercado, muito provavelmente a gente comprou uma carne contaminada?
Moscardi: É, eu acho que há necessidade de ter um cuidado maior dessas empresas com a sociedade e sim, é possível que sim, que a gente tenha consumido alimentos de baixa qualidade no mínimo. Talvez não a estragada, mas, com qualidade inferior do que deveria realmente fornecida a uma pessoa, atendendo às qualificações técnicas que são estipuladas pelo Ministério da Agricultura. Então muita coisa não é uma questão de estragar ou não estragar, é questão de não atingir o patamar necessário, a qualidade técnica necessária que de exige de um alimento.
O delegado também disse que há suspeita de que parte da propina era revertida para partidos políticos. Ele citou o PP e o PMDB, mas não deu mais detalhes. Também não deu o nome de nenhum político que teria recebido este dinheiro.


Por G1/Jornal Nacional

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